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Comunicado COPOM / FED 29/04

29 de Abril de 2026

Brasil (Copom)

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje (29/04) a taxa Selic em 25 bps, de 14,75% para 14,50% a.a., no segundo movimento do ciclo de afrouxamento iniciado em março.

No campo da atividade, o comitê reconheceu recuperação dos indicadores correntes frente ao último trimestre de 2025, embora a leitura para o acumulado de 2026 ainda seja de desaceleração e o mercado de trabalho permaneça resiliente. A comunicação sobre inflação ficou mais cautelosa: o trecho que descrevia os índices como "acima da meta" foi substituído pela avaliação de que "aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta". Para o 4º trimestre de 2027, atual horizonte de referência, a projeção do BC subiu de 3,3% para 3,5%.

O balanço de riscos também mudou de tom. Os riscos agora "permanecem" mais elevados, em vez de "se intensificarem", e o comitê voltou a tratá-los como simétricos. Entre os de alta, foi incluída menção explícita a impactos de segunda ordem de eventuais choques do petróleo. Já na sinalização prospectiva, o Copom optou por "dar sequência" ao ciclo de calibração, mas alterou o critério de convergência: a inflação passa a ser perseguida "para o redor da meta", e não mais "para a meta".

Visão MMZR

A decisão do Copom veio em linha com o consenso de mercado, mas trazendo um tom mais hawkish ao dar mais ênfase à desancoragem da inflação e destacar riscos que permanecem mais elevados. Apesar de o nível de juro real permitir a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, o comitê já começa a sinalizar neste comunicado preocupação com as expectativas à frente.

EUA (FED)

Em sua última reunião sob a presidência de Jerome Powell, o Federal Open Market Committee (FOMC) divulgou hoje (29/04) a decisão de manter o Fed Funds Rate no intervalo de 3,50 a 3,75%, pela segunda reunião consecutiva. A decisão novamente apresentou o placar de 11 votos favoráveis à manutenção, contra um voto dissidente de Stephen Miran, o qual seguiu defendendo um corte de 25 bps.

Apesar da permanência do trecho em que caracteriza o ritmo sólido da atividade econômica e pouca mudança aos dados de emprego, o comitê passou a dar mais ênfase ao quadro inflacionário. O trecho que caracterizava a inflação como "um pouco elevada" deu espaço para a nova avaliação de que a inflação está elevada, em parte devido ao choque nos preços de energia. Sobre a avaliação prospectiva, o comitê citou os conflitos no Oriente Médio como principais contribuintes para o elevado nível de incerteza.

A mudança mais significativa apareceu no posicionamento de três membros que, apesar de apoiarem a manutenção da taxa, se posicionaram favoráveis à retirada do "viés de afrouxamento" do comunicado, sendo eles Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan. Em complemento, Jerome Powell destacou que os acontecimentos dos próximos meses podem ser significativos para a mudança da linguagem do comunicado.

Visão MMZR

Embora a decisão de política monetária tenha vindo em linha com o amplo consenso, o comunicado representou um marco importante de uma possível virada do viés dovish para um tom mais hawkish. Ainda que o comunicado cite a dependência de dados futuros para reavaliar o cenário, a incerteza elevada levou os membros a adotarem posturas mais cautelosas, com destaque ao voto de Kashkari pela alteração da linguagem, dado seu histórico mais dovish. Essa mudança veio ao encontro da ênfase de Powell na coletiva de março, quando afirmou que, sem progresso adicional na desinflação, não haverá espaço para cortes. Por fim, vale mencionar que Kevin Warsh foi oficialmente aprovado para assumir a presidência do FED, algo que pode influenciar bastante a próxima reunião e a comunicação daqui para a frente.

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