Em decisão novamente unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 25 bps, de 14,25% para 14,00% a.a., marcando a quarta reunião consecutiva de cortes desde o início do ciclo de afrouxamento monetário.
Em comparação com o último comunicado, o cenário externo passou a incluir também as incertezas sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Já o cenário doméstico teve leitura mista. Na atividade, o comitê substituiu a avaliação de "aceleração" por "moderação gradual da atividade, embora ainda em patamar resiliente", citando que os indicadores "mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026". Por outro lado, o mercado de trabalho passou de "resiliente" para "aquecido".
Na inflação, o comitê reconheceu que tanto a inflação cheia quanto as medidas subjacentes desaceleraram, com a cheia ainda acima do limite superior da meta e as medidas subjacentes ligeiramente abaixo dele. Ainda assim, as expectativas seguem desancoradas e acima da meta, e o balanço de riscos permanece com assimetria altista. O comitê passou também a afirmar que monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, e reconhece que isso aumenta o custo da desinflação.
Por fim, o comitê reafirmou que o tamanho do ciclo será estabelecido à luz de novas informações, não indicando os próximos passos da política monetária. Acrescentou que o cenário atual, caracterizado por uma maior volatilidade, demanda "serenidade e cautela", com o Copom se mantendo vigilante para manter a restrição adequada e assegurar a convergência da inflação à meta.
Após o comunicado anterior, que gerou bastante ruído sobre a comunicação do Bacen, o Copom adotou um tom mais neutro, evitando sinalizar os próximos passos. No campo inflacionário houve melhora na margem, mas a projeção no horizonte relevante segue em 3,2%, ainda acima da meta de 3%. Ou seja, a convergência ainda não está assegurada. Na atividade, os sinais também já apontam para uma desaceleração mais acentuada: o próprio comunicado afirma que os indicadores "mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026". Em contrapartida, o ponto que mais chamou atenção foi a inclusão de um trecho sobre a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos e o aumento do custo de desinflação que isso acarreta. Como o comunicado foi propositalmente agnóstico, entramos em um período mais dependente dos dados, e a ata da próxima semana deve trazer mais elementos sobre os próximos passos. De qualquer forma, o Copom parece querer caminhar para seguir com cortes de 25bps nas próximas reuniões.
Em sua segunda reunião após a troca de comando, o Federal Open Market Committee (FOMC) manteve o Fed Funds Rate em patamar inalterado pela quinta reunião consecutiva, no intervalo de 3,50% a 3,75%. A decisão apresentou um placar de nove votos favoráveis e três dissidências, todas favoráveis a uma alta de 25 bps: Beth Hammack (Cleveland), Neel Kashkari (Minneapolis) e Lorie Logan (Dallas). O resultado contrasta com a unanimidade da reunião de junho e marca o retorno das divergências ao comitê.
O conteúdo do comunicado seguiu muito parecido ao da reunião anterior, reconhecendo o ritmo sólido da atividade econômica, nenhuma mudança significativa no desemprego e uma inflação ainda elevada, em parte pelos choques de oferta em setores como energia. Novamente a ênfase foi para o compromisso do comitê, focados na mensagem de que vão entregar a estabilidade de preços.
Com o fim do forward guidance, o destaque ficou para a fala do presidente Kevin Warsh, que trouxe alguma visão sobre a atual função de reação do FED. Warsh foi enfático em rejeitar a ideia de uma meta implícita mais alta, reafirmando que existe apenas a meta de inflação de 2%. Warsh também comentou a precificação "materialmente mais alta" ao longo da curva de juros, que interpretou como um ajuste natural do mercado, agora mais focado nos dados e menos na atuação do FED. Por fim, ao tratar do forte crescimento do investimento das empresas, com destaque para o capex ligado à IA, Warsh reconheceu que a tecnologia é força de oferta e de demanda ao mesmo tempo, com efeito líquido incerto sobre a inflação.
A decisão, apesar de manter o intervalo inalterado, veio com tom mais hawkish: o comitê reafirmou um compromisso inegociável com a meta de inflação e entregou a "good family fight" desejada pelo novo chair. As três dissidências, todas a favor de alta, não representam uma divisão nova, os mesmos membros já haviam se oposto ao viés de afrouxamento no comunicado de abril, e agora endurecem a posição ao defender o aperto imediato. Mais do que o placar, foi a coletiva que trouxe pistas sobre a função de reação que se desenha sob Warsh, centrada na estabilidade de preços.
Para frente, a leitura fica na dúvida sobre o peso que o FED atribuirá à própria precificação de mercado. Warsh sinalizou conforto com juros mais altos e mais voláteis ao longo da curva, tratando o movimento como um mercado que passa a reagir aos dados e menos à sinalização do comitê. Resta saber se esse aperto "de mercado" será suficiente para o FED ou se as próximas leituras de inflação e atividade forçarão uma decisão mais explícita. O novo modelo adotado exige cautela, há um risco claro de uma maior volatilidade na curva de juros daqui pra frente ou pelo menos até o mercado se adaptar ao novo presidente do FED.
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